As 16 iniciativas indígenas pré-selecionadas trabalharam no fortalecimento e na formulação de suas propostas.

Iquitos, Boa Vista, Lago Agrio e Puerto Asís foram sede dos encontros regionais que permitiram fortalecer as propostas apresentadas por organizações indígenas da bacia.
Como parte do processo de avaliação e seleção dos subprojetos voltados aos povos indígenas, o Projeto de Manejo Integrado da Bacia Putumayo-Içá realizou quatro oficinas regionais em Iquitos (Peru), Boa Vista (Brasil), Lago Agrio (Equador) e Puerto Asís (Colômbia), com a participação de representantes das 16 iniciativas previamente selecionadas para avançar a uma fase de formulação detalhada.
Esses espaços tiveram como objetivo oferecer acompanhamento técnico e metodológico às organizações participantes para fortalecer suas propostas, ajustar aspectos operacionais e financeiros, realizar a avaliação de riscos ambientais e sociais, e garantir que os projetos respondam de forma efetiva às necessidades e realidades de seus territórios.
Antes das oficinas, a equipe técnica do projeto coordenou com as comunidades o deslocamento dos participantes e realizou uma revisão preliminar dos formatos exigidos. Além disso, foram realizadas reuniões individuais com cada organização para esclarecer dúvidas e orientar o preenchimento dos anexos técnicos e administrativos.
Durante os encontros, os participantes apresentaram suas iniciativas, compartilhando os objetivos, atividades e resultados esperados. Essas apresentações permitiram gerar um espaço de intercâmbio de experiências e retroalimentação entre os representantes das diferentes comunidades e a equipe do Projeto GEF.
A equipe técnica acompanhou o desenvolvimento e o ajuste dos formulários exigidos, incluindo a definição detalhada de atividades, a elaboração de cronogramas, orçamentos e análises de riscos. Por meio de grupos de trabalho, cada proposta foi revisada para assegurar sua coerência técnica e financeira.
Todo esse processo também contou com o acompanhamento de parceiros governamentais, como o Ministério do Ambiente e Energia do Equador e o Serviço Nacional de Áreas Naturais Protegidas (SERNANP) do Peru.
Um dos aspectos mais relevantes das oficinas foi o fortalecimento de capacidades em formulação orçamentária. De forma prática, os participantes puderam compreender como os orçamentos são construídos e ajustados, de acordo com as diretrizes estabelecidas no MOP, e realizar o exercício prático de sua proposta considerando fatores como a localização remota das comunidades, os custos logísticos e as particularidades de cada território.
Angie Martínez, integrante da equipe técnica da Associação de Mulheres Indígenas do resguardo Buenavista, em Puerto Asís, mencionou:
“Agradecemos por esse acompanhamento e por essa disponibilidade. Para nós, foi uma etapa de muitos aprendizados e muito proveitosa; esperamos que a proposta fique ajustada e se torne realidade para nossas comunidades e organizações postulantes.”
O representante do povo Kamëntsá de San Francisco (Colômbia) destacou que “foi muito valioso contar com essa orientação para poder expressar nosso pensamento, nossas ideias e nossa memória em uma proposta mais estruturada, com produtos, indicadores e responsabilidades claras”.
Para Rubiela Ríos, da comunidade 8 de Dezembro, no Peru, “o mais valioso desta reunião foi a transparência entre todos; foi muito importante para priorizar nossos gastos e trabalhar de forma conjunta”.
“Para nós, como mulheres artesãs, foi muito valioso receber esse acompanhamento. Pudemos melhorar nossa proposta e dar mais um passo rumo à realização de iniciativas que se tornem realidade para nossa comunidade”, afirmou, por sua vez, Janderlani Pinto do Santos, participante da comunidade Boa Vista, no Brasil..
Por meio desse processo participativo, o Projeto GEF Putumayo-Içá reafirma seu compromisso de ampliar a participação dos povos indígenas da bacia, promovendo soluções próprias, construídas a partir dos territórios e respeitando os direitos, sistemas de conhecimento e prioridades das comunidades amazônicas.
Com essa etapa concluída, as propostas ajustadas seguem para uma avaliação final, que definirá aquelas que serão chamadas a assinar um subacordo e, assim, fazer parte da implementação direta do Projeto GEF nos territórios indígenas da bacia.







