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Bacia Putumayo-Içá

Bacia Putumayo-Içá

  Descrição geral

O Projeto «Manejo Integrado da Bacia do Rio Putumayo-Içá» concentra-se na gestão sustentável dos recursos naturais e no desenvolvimento socioeconômico das comunidades que habitam essa bacia, que se estende pela Colômbia, pelo Peru, pelo Equador e pelo Brasil.

Esta região, rica em biodiversidade, enfrenta desafios ambientais e sociais que o projeto procura abordar através de estratégias integradas e colaborativas.

O projeto tem como principais propósitos a conservação da biodiversidade, o desenvolvimento sustentável, o manejo eficiente dos recursos hídricos e o fortalecimento comunitário. Para alcançar esses objetivos, são implementadas ações como a avaliação e o monitoramento ambiental, o desenvolvimento de planos de manejo territorial, programas de educação e sensibilização ambiental, e o fortalecimento das capacidades locais para o desenvolvimento de práticas sustentáveis. Além disso, trabalha-se na criação e no fortalecimento de políticas e marcos legais que apoiem a gestão sustentável da bacia.

Cerca de 45% da bacia Putumayo-Içá é constituída por territórios indígenas.

O rio Putumayo-Içá estende-se por quase 2.000 km através da região fronteiriça entre Colômbia, Equador, Peru e Brasil, e é o décimo maior afluente do rio Amazonas.

A região é habitat de cinco espécies de tartarugas aquáticas e terrestres, importantes para os povos indígenas locais: charapa, taricaya, cupiso, mata-mata e morrocoy.

Devido à sua biodiversidade andina e de várzea, a bacia do Putumayo-Içá é uma das áreas de maior biodiversidade da bacia amazônica e do mundo.

As florestas da bacia do Putumayo-Içá albergam grandes reservas de carbono, necessárias para mitigar os efeitos das alterações climáticas.


Os rios

O rio Putumayo-Içá, conhecido como o “rio de peixes” na língua murui, é o décimo afluente mais longo do rio Amazonas. Sua bacia abrange 121.201 km², o que representa 1,8% da bacia amazônica. O Putumayo-Içá percorre cerca de 2.000 km, iniciando na Cordilheira dos Andes, na Colômbia, drenando suas águas a jusante em direção ao Equador e ao Peru, conectando rios, lagos e florestas inundadas, e chegando ao Brasil, onde deságua no rio Amazonas (Solimões). Os principais rios tributários da bacia são: Cotuhé, Igara Paraná, La Chorrera e Sabaloyacu, na Colômbia; Güeppi, Peneya, Angusilla, Yubineto, Campuya, Algodón e Yaguas, no Peru; San Miguel, no Equador; e Purité e Orós, no Brasil.

Os bosques

As florestas da bacia Putumayo-Içá abrigam uma grande riqueza de biodiversidade na região amazônica; mais de 75% de seu território corresponde a áreas de conservação ou propostas para conservação. Essas florestas também contêm grandes reservas de carbono, necessárias para mitigar as mudanças climáticas.

As espécies

Na bacia foram registrados:

Entre os répteis, destacam-se a babilla (Caiman crocodilus) e o jacaré-açu (Melanosuchus niger), com uma das maiores populações da região amazônica, mas em estado vulnerável. Também há cinco espécies de tartarugas importantes para as comunidades indígenas locais: charapa (Podocnemis expansa), taricaya (Podocnemis unifilis), cupiso (Podocnemis sextuberculata), mata-mata (Chelus fimbriatus) e morrocoy (Chelonoidis denticulata). As espécies de peixes de importância ecológica e econômica incluem o pirarucu (Arapaima gigas), a aruanã-prateada (Osteoglossum bicirrhosum) e o bagre migratório (Pseudoplatystoma punctifer).


Comunidades locais

A bacia é o lar ancestral de diferentes povos indígenas, correspondendo a cerca de 45% de seu território. A oralidade e outras formas culturais são fundamentais para transmitir conhecimentos sobre a conservação da floresta e da biodiversidade, as técnicas de caça, o plantio, a colheita e o uso dos recursos naturais em práticas como a medicina e a culinária. Na segunda metade do século XX, a parte alta da bacia recebeu uma grande afluência de outros povos indígenas e de população migrante, como comunidades camponesas e afro-colombianas, principalmente deslocadas de seus territórios. A bacia também é habitada por pescadores e agricultores, entre outras comunidades.

Condições socioeconômicas

A maioria das comunidades está localizada ao longo das margens dos rios, navegáveis durante todo o ano, garantindo fácil acesso a ambos os lados das fronteiras Peru-Colômbia e Peru-Colômbia-Equador, bem como a jusante em direção ao Brasil. Essas comunidades obtêm sua água potável de rios, lagos, poços e riachos próximos às suas moradias. Os meios de subsistência incluem a pesca, a caça, produtos florestais madeireiros e não madeireiros, e a agricultura. A economia da bacia tem sido dinâmica e determinada por produtos ou atividades específicas: quinina (1616-1885), borracha (1880-1912), peles (início da década de 1960), coca (de 1980 até a atualidade) e óleo de palma (desde 1957 até a atualidade). Essas atividades exerceram pressão sobre os recursos naturais, incluindo a conversão de áreas naturais. Nos últimos anos, a agricultura, a pecuária, a mineração e a extração de madeira impulsionaram mudanças na cobertura do solo e na qualidade da água.