Comunidades indígenas e camponesas do Equador e da Colômbia impulsionam empreendimentos sustentáveis

No âmbito do Projeto de Manejo Integrado da Bacia do Rio Putumayo–Içá, comunidades ribeirinhas do Equador e da Colômbia impulsionam soluções que nascem do território para conservar a floresta e fortalecer seus meios de vida, por meio do aproveitamento sustentável de produtos florestais não madeireiros, como parte
de uma aposta regional na biodiversidade, na governança local e no desenvolvimento sustentável.
No Equador, comunidades dos povos Kichwa e Kofán da província de Sucumbíos, situadas nas áreas de influência dos rios Aguarico e Putumayo, trabalham no aproveitamento sustentável de produtos como o camu-camu e o açaí. Esse processo é desenvolvido na comunidade Kichwa TACE e na comunidade Kofán Upiritu, com a participação de 43 famílias compostas por 234 indígenas, que fortalecem modelos produtivos vinculados a seu conhecimento ancestral e à sua visão de território.

Na Colômbia, o projeto é implementado nos municípios de Puerto Asís, Puerto Caicedo e Villagarzón, no departamento de Putumayo, com a participação da Asociación Melipo del Sur e da ASOMUJER. Nessas localidades, 90 pessoas de comunidades camponesas fortalecem iniciativas produtivas voltadas ao cacay, ao buriti, conhecido como aguaje ou canangucha, e ao mel de abelhas nativas sem ferrão, por meio de práticas de meliponicultura.
O subprojeto é executado pela organização parceira Conexión Colombia, em articulação, no Equador, com o Fondo Ecuatoriano Populorum Progressio (FEPP) e organizações locais. Com duração de 14 meses e conclusão prevista para setembro de 2026, busca fortalecer a governança ambiental, social e cultural por meio do fortalecimento organizacional, da melhoria dos processos de aproveitamento sustentável, da implementação de práticas de qualidade e segurança dos alimentos e do incentivo à comercialização em mercados diferenciados, promovendo, ao mesmo tempo, a conservação da floresta e a diversificação
dos meios de vida.
As comunidades participantes, situadas às margens do rio Putumayo e de seus afluentes, combinam conhecimentos ancestrais com práticas sustentáveis para o manejo de recursos florestais não madeireiros, promovendo alternativas econômicas que contribuem para a conservação da floresta.
A iniciativa promove o fortalecimento organizacional, a capacitação técnica e o acesso a mercados diferenciados, com ênfase na participação de mulheres e jovens como atores fundamentais no desenvolvimento comunitário.



Esse processo responde a desafios como o desmatamento, a mineração ilegal e a expansão da fronteira agrícola, que afetam diretamente esses territórios. Diante disso, as comunidades apostam em modelos produtivos que conservam a biodiversidade e geram renda sustentável.
Dessa forma, a iniciativa contribui para consolidar um modelo de desenvolvimento que articula a conservação ambiental com o bem-estar das comunidades do Putumayo–Içá, em consonância com seus planos de vida e estratégias territoriais.
Ver video Cadeias de Valor: Meliponicultura no Putumayo
