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Atores da bacia Putumayo-Içá propõem ações para fortalecer a pesca sustentável

Mais de 30 pescadores, técnicos e representantes de instituições governamentais, de pesquisa e do meio acadêmico se reuniram em Quito, nos dias 14 e 15 de outubro, para compartilhar experiências e definir ações que contribuam para conservar os ecossistemas aquáticos e garantir a sustentabilidade da pesca.

Com mais de 420 espécies de peixes, a bacia Putumayo-Içá abriga uma extraordinária diversidade aquática que sustenta a alimentação, a economia e a cultura das comunidades indígenas e ribeirinhas. No entanto, a pressão sobre os recursos pesqueiros e os desafios para coordenar seu manejo entre os países tornam necessário fortalecer a cooperação e construir soluções que respondam às realidades do território.

Com esse propósito, o Projeto GEF de Manejo Integrado da Bacia do Rio Putumayo-Içá reuniu em Quito representantes do Brasil, da Colômbia, do Equador e do Peru para analisar os desafios da atividade pesqueira e propor ações conjuntas que contribuam para a conservação dos ecossistemas aquáticos e o bem-estar das comunidades.

Durante a abertura, Madeleine Pertuz, representante do Ministério do Meio Ambiente e Energia do Equador, lembrou que “a pesca na bacia Putumayo-Içá transcende a atividade econômica: é cultura, é base da segurança alimentar e um indicador da saúde de nossos rios e de sua biodiversidade”.

Por sua vez, Sebastián Valdiviezo, diretor da WCS Ecuador, destacou a importância de avançar rumo ao manejo sustentável dos recursos pesqueiros por meio de uma gestão integrada que articule os objetivos de conservação com a melhoria da qualidade de vida das comunidades. Também ressaltou o esforço conjunto e o avanço dos compromissos regionais de cooperação entre os quatro países da bacia Putumayo-Içá, incluindo a implementação do Plano de Manejo dos Bagres Migratórios da Amazônia, recentemente aprovado na COP15.

Conectar os rios, proteger os peixes e harmonizar a gestão

Ao longo do encontro, as apresentações e a troca de experiências permitiram abordar a conectividade amazônica e sua importância para manter os ciclos de vida das espécies e a saúde dos ecossistemas. Também foram analisadas as características das espécies prioritárias para a pesca e sua vulnerabilidade às pressões pesqueiras, incluindo a sobre-exploração e o fenômeno conhecido como fishing down, que ocorre quando a pesca se concentra progressivamente em peixes de menor porte e espécies de níveis tróficos inferiores. fishing down, que ocurre cuando la pesca se concentra progresivamente en peces de menor tamaño y especies de niveles tróficos inferiores.

As vozes das pescadoras e dos pescadores da Asociación de Pescadores Artesanales ASODORADO, da Colômbia; das organizações NGUTAPA e ASSCOMAL, do Brasil; e da Asociación 8 de Diciembre, do Peru, foram fundamentais para identificar os problemas enfrentados em suas atividades cotidianas e propor soluções baseadas em suas experiências e conhecimentos do território. Sua participação permitiu colocar em diálogo as perspectivas técnicas e institucionais com as necessidades de quem depende diretamente dos rios e de seus recursos.

Como resultado da oficina, foram propostas ações para fortalecer a gestão integrada da bacia, entre elas restaurar as matas ciliares, proteger os habitats aquáticos, reforçar o monitoramento participativo das espécies migratórias e melhorar a coordenação entre os países. Também se propôs avançar na caracterização das espécies prioritárias para a pesca e fortalecer o intercâmbio de informações entre institutos técnicos e científicos.

Essas ações buscam contribuir para os compromissos regionais de cooperação e avançar rumo a uma gestão pesqueira que reconheça a conectividade dos ecossistemas, articule os esforços dos quatro países e integre os conhecimentos científicos e os saberes tradicionais das comunidades.

A sustentabilidade da pesca na bacia Putumayo-Içá depende de uma visão compartilhada que vincule a conservação dos rios aos meios de vida, à cultura e à segurança alimentar das populações amazônicas.


A oficina foi facilitada pelo Projeto GEF Putumayo-Içá e contou com a participação dos Ministérios do Meio Ambiente da Colômbia, do Equador e do Peru e da Alianza Aguas Amazónicas, além de representantes de instituições de pesquisa, do meio acadêmico, de órgãos governamentais e de organizações de pescadores dos quatro países da bacia:

Brasil

  • Instituto NGUTAPA
  • Associação das Comunidades Manejadoras de Lagos do Rio Içá – ASSCOMAL
  • WCS Brasil

Colômbia

  • Instituto Amazónico de Investigaciones Científicas SINCHI
  • Autoridad Nacional de Acuicultura y Pesca -AUNAP
  • Asociación de Pescadores Artesanales ASODORADO
  • Ministerio de Ambiente de Colombia

Equador

  • Instituto Nacional de Biodiversidade (INABIO)
  • Instituto Público de Investigación de Acuicultura y Pesca (IPIAP)
  • Universidad San Francisco de Quito (USFQ)
  • Gobierno Autónomo de Sucumbíos
  • Ministerio del Ambiente y Energía
  • WCS Ecuador

Peru

  • Cancillería del Perú
  • Instituto de Investigaciones de la Amazonía Peruana (IIAP)
  • Instituto del Mar del Perú (IMARPE)
  • Dirección Regional de la Producción
  • Asociación de Pescadores de Mashunta
  • Ministério do Meio Ambiente
  • Asociación de Pescadores 8 de Diciembre / Mashunta


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