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Contribuições da bacia Putumayo–Içá para o Diálogo de Saberes por los Bagres Migradores

De 20 a 23 de janeiro, foi realizado em Belém, Brasil, o Diálogo de Saberes pelos Bagres Migradores, um encontro organizado pela Aliança Águas Amazônicas (AAA) que reuniu dezenove delegações de pescadoras e pescadores da bacia amazônica, juntamente com especialistas regionais, técnicos e representantes de organizações, para dialogar sobre os desafios enfrentados pelos grandes bagres migratórios da Amazônia.

Neste encontro, uma mulher, um jovem e um homem pescadores da bacia do Putumayo-Içá participaram e compartilharam seus conhecimentos, experiências e preocupações sobre o manejo dessas espécies que percorrem longas distâncias nos rios da Amazônia, desempenhando um papel fundamental no ecossistema aquático e na segurança alimentar das comunidades amazônicas.

Representando a Bacia do Rio Putumayo-Içá estavam Iliana Chota Aspajo (Puerto Leguízamo, Colômbia), Marcos Edson Faba Chota (Manacapurú, Brasil), que contaram com o apoio do Projeto de Gestão Integrada da Bacia do Rio Putumayo-Içá, e Wilmer Gonzales Nicolini (Tres Esquinas, Peru), acompanhado por Marina Vargas Rojas, do Instituto do Bem Comum. Os três representantes da bacia contribuíram com suas perspectivas baseadas na experiência local e no conhecimento transmitido de geração em geração.

Os grandes bagres migratórios são umas das espécies priorizadas pelo Projeto GEF Manejo Integrado da Bacia do Rio Putumayo–Içá para trabalhar no desenvolvimento e fortalecimento de planos de manejo pesqueiro em pontos estratégicos da bacia.

Los pescadores de la cuenca Putumayo-Içá: Iliana Chota Aspajo (Colombia), Marcos Edson Faba Chota (Brasil) y Wilmer Gonzales Nicolini  (Perú) (Foto: Silvia López)

Iliana Chota Aspajo, filha de pescadores, lembrou que no passado costumava capturar grandes bagres com frequência. No entanto, atualmente ela enfrenta sérias dificuldades devido ao declínio dessas espécies, apesar de continuar colocando anzóis todas as semanas. Seu testemunho, juntamente com o de Marcos Edson, reflete a necessidade urgente de fortalecer a colaboração entre os países da bacia amazônica para recuperar as populações de bagres migratórios e garantir a sustentabilidade da pesca.

Durante o encontro, os pescadores definiram a necessidade de fortalecer os acordos de pesca, reconhecendo sua importância para a manutenção e conservação dessas espécies, e de abordar com urgência ameaças como a poluição, que também é um dos objetivos do Projeto GEF.

Além disso, os pescadores de diferentes territórios da bacia amazônica concordaram em trabalhar no fortalecimento da governança, no reconhecimento do trabalho das pessoas dedicadas à pesca e no desenvolvimento de capacidades, contribuições que serão levadas à próxima Convenção sobre Espécies Migratórias (CMS) como uma contribuição ao Plano de Ação para a Conservação dos Grandes Bagres Amazônicos.

Pescadores e pesquisadores das bacias dos rios Beni, Madre de Dios, Caquetá-Japurá, Putumayo-Içá e Napo, concordando em ações necessárias para a sustentabilidade da pesca. (Foto: AAA-Arthur Menescal)

Além disso, os pescadores do Putumayo–Içá integraram-se a um grupo do WhatsApp de pescadores do Brasil, Equador, Bolívia, Peru e Colômbia, que facilitará o intercâmbio de experiências, avanços e preocupações, fortalecendo a articulação regional em favor da conservação e do uso sustentável dos recursos pesqueiros.

(Foto: AAA-Arthur Menescal)

Para Silvia López-Casas (foto), especialista regional em ecossistemas aquáticos continentais da WCS, “esse espaço permitiu sonhar que é possível chegar a acordos em escala de bacia hidrográfica e concretizar ações para alcançar alianças mais sólidas e colaborações permanentes com os pescadores”, permitindo assim a formulação de estratégias locais para a conservação dos bagres na região.

De acordo com os resultados divulgados até o momento pela Aliança Águas Amazônicas, esse processo resultou na união e colaboração entre pescadores e pescadoras, o que permitiu a construção coletiva de um manifesto, que será publicado em breve e reunirá conhecimentos, experiências e propostas para conservar os bagres, peixes que não conhecem fronteiras e percorrem toda a bacia amazônica.


Escrito por Carla Martínez en .